A economia solidária.

(Sobre este tema, ver também: economia solidária e autogestão)
Os processos de solidariedade encontram-se enraizados na cultura popular e na tradição brasileira. Os mutirões, que remontam à vida rural, continuam presentes tanto no campo quanto na cidade, nos momentos da plantação e da colheita, na construção e na reforma das casas populares. A economia solidária desenvolve-se por sobre as tradições da nossa população na produção e no trabalho
Dois elementos principais podem ser apontados num exercício de caracterização mais acurada da economia solidária:
1) a redução e, se possível, eliminação de formas de apropriação desigual dos excedentes produzidos, combatendo ao máximo a exploração do trabalho;
2) o estímulo ao máximo possível dos processos participativos na deliberação sobre as estratégias dos empreendimentos, sobre formas internas de organização, sobre processos produtivos, sobre política de investimentos, gestão de pessoal, etc.
Em suma, eliminação da exploração do trabalho e democracia interna acentuada. Tais características por vezes fazem pensar que a economia solidária seja idêntica à autogestão. Ainda que haja muita proximidade, nem sempre o movimento da economia solidária apresenta-se estruturado por meio da autogestão.

O crédito popular

Mesmo o crédito popular é costumeiramente envolto por relações de compadrio e de amizade. É o fiado, a caderneta da mercearia, o empréstimo do nome. Sobre esta base a rede varejista estabeleceu o crediário para aquisição de bens de consumo. Em muitas empresas os funcionários desenvolvem consórcios informais de dinheiro como mecanismo de ajuda e poupança mútua.
No caso do crédito produtivo popular, que se apresenta como novidade, o desafio é ter o pobre como empreendedor, ator econômico. Só a partir dos anos 1990, como estratégia de combate à exclusão social, é que, no Brasil, começa a se ampliar o debate sobre economia solidária e as práticas do crédito produtivo ou microcrédito. Isto num cenário de estagnação econômica, de ampliação do desemprego e de informalidade das atividades econômicas mais populares no contexto da reestruturação produtiva onde as novas tecnologias potencializam o uso da mão-de-obra, propiciando que empreendimentos desenvolvam-se com um, dois, ou muito poucos trabalhadores.

A globalização e o sistema financeiro

O vasto fenômeno que configura a chamada globalização é objeto de controvérsias entre vários autores. Held & McGrew (2001) apresentam a existência dos que defendem que a globaização seja sim um fenômeno histórico, político, econômico e social atual enquanto outra corrente que eles denominam de "céticos do globalização" defendem que tudo desenvolve-se nos mesmos marcos do capitalismo, com acentuações próprias de cada época.
Uma das características centrais desse momento, de qualquer modo, e nisto consentem a maioria dos autores, é que o desenvolvimento do atual sistema financeiro desempenha papel absolutamente central na definição de nosso período histórico, pelos seus atributos operacionais, pelos volumes envolvidos, bem como pelo número de transações que se realizam.
Também consentem a maioria dos autores quanto ao perfil atroz, perverso, "ditatorial" e "virulento" do sistema financeiro contemporâneo: pode fazer sucumbir décadas de lutas e esforços de desenvolvimento de povos, países, pelo simples movimentar das riquezas por meio do trânsito cibernético dos valores; expolia populações inteiras, principalmente aquelas de culturas ancestrais, pela imposição da queda dos valores de seus produtos (commodities) enquanto, concomitantemente, impõe sobrecargas sobre o endividamento destes povos por meio de cobranças de juros pós-fixados, ou seja, variáveis conforme as circunstâncias, o que tem implicado em taxas sempre mais altas em qualquer período de crise de origem política, civil, sanitaria ou mesmo de trajédias ambientais.

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